julho 30, 2004

Incêndios deviam fazer arder a nossa consciência colectiva

Serão um atestado à nossa incompetência, à nossa inconsciência ou à nossa monumental conivência com interesses económicos que sobrevivem à custa deste flagelo?

Em pleno século XXI recuso-me a acreditar que não haja formas técnicas de melhor combater os incêndios. Vejo sempre imagens de bombeiros (tantos voluntários) e apesar do esforço quase sobre-humano que evidenciam a imagem é sempre caótica, de muita desorganização e poucos meios.
A distribuição dos meios existentes nunca parece ser clara, organizada ou seguindo critérios coerentes.
Falta-nos competência.

Mas tendo as consequências que tem, por que é que a discussão do assunto acaba sempre em Setembro? Por que se sucedem as Comissões e análises e não se faz nada? Por que reformulam as estruturas e os resultados são os mesmos? Por que é que se criaram fundos para as autarquias desenvolverem planos locais de prevenção de incêndios e só uma minúscula minoria apresentou candidaturas a esses incentivos? Por que é que os proprietários não limpam os seus terrenos? Por que não se torna prioritário o investimento público em meios que permitam outra eficácia no combate aos incêndios
Falta-nos consciência.

Os rumores são muitos. Sabe-se que a maioria dos incêncidos são provocados. Sabe-se que os reacendimentos em múltiplas frentes em simultaneo não pode ter origem casual. Sabe-se que não existem estudos independentes sobre este assunto. Sabe-se que se gastam fortunas com o aluguer dos meios aéreos (e muitos outros) para combater os incêndios. Não se sabe se não seria mais vantajoso o Estado investir nesses meios, porque nunca apresentou números que demonstrem tal facto. Sabe-se que para os proprietários de madeira por vezes pode ser mais vantajoso que ela arda e receber o seguro do que ter que transformá-la ou vendê-la.
Desconfia-se que todos estes factores estejam de alguma forma relacionados e não de forma clara.
Falta-nos independência.

No fim de tudo é deprimente. Já nos habituamos a isto. Sabemos que chega no Verão, se discute e se grita, em Setembro bate-se com a mão no peito e diz-se que para o ano é que vai ser e no Verão seguinte está tudo a arder de novo.

Publicado por speculare em julho 30, 2004 12:05 PM
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