Agora a frio e após ter discutido e lido bastante sobre o assunto, já me sinto mais à vontade para falar um pouco do assunto.
Já o tinha dito aqui. Este jogo seria um teste aos talentos tácticos de Scolari.
Mas seria mais que isso: seria um teste ao nervos dos jogadores, à capacidade física após uma época e Europeu desgastante, à capacidade de luta e ao absoluto rigor defensivo necessário.
A Grécia foi de facto uma grande equipa. Excepcional organização, grande capacidade física, algumas excelentes individualidades (principalmente na defesa), treinador com capacidade de leitura táctica para adaptação ao adversário, capacidade de defesa bloco muito boa, excelente trabalho na preparação das jogadas de bola parada e, a cereja em cima do bola, grande capacidade de concretização das oportunidades (ou meias oportunidades) de que usufruem.
Com outro tipo de talento ofensivo, o FCPorto ganhou assim mesmo alguns jogos fora este ano na famosa Champions.
O futebol que jogam não é espectacular, mas é uma equipa espectacular no futebol que pratica.
Durante o torneio (como agora é obrigatório dizer) adicionaram a isto tudo o factor adicional que sempre acompanha os campeões: a estrelinha da sorte.
Já tive alguns brainstormings e li teorias de como deviamos ter jogado para ganhar à Grécia.
Eu não teria jogado com Pauleta ("Para a final presumo que o NGomes retome a titularidade, porque o Pauleta não a merece".
, apesar da simpatia unânime que rodeou a insistência de Scolari. Teria insistido para rematerem de longe, o que foi feito em abundância. Teria insistido com Figo e Ronaldo para não fugirem tanto para o meio, tentando conseguir tornear a defesa pelos flancos. Só Miguel conseguiu um pouco isto até se lesionar. Os cruzamentos antes de chegarmos à área foram pão com manteiga para Dellas e amigos. Um contra argumento será que no Dragão fizemos muitos cruzamentos que nunca tiveram finalização. Também há quem defenda que de início ou depois de estarmos a perder deveriamos ter apostado em 2 pontas de lança. Scolari ficou-se pelas mesmas alterações que resultaram contra a Inglaterra: RCosta para refrescar e troca directa de pontas de lança.
O nosso futebol foi lento e sofreu também de muita desinspiração individual. Todos os craques pecaram por terem a bola demasiado tempo no pé e afunilarem o jogo. Figo teve um lampejo (em meio metro no meio de 3 gregos) que quase deu golo e RCosta dois passes para CRonaldo, um isolado com o GR outro só com um defesa pela frente (estes dois passes e mais um remate a passar perto do poste foi tudo quanto RCosta fez no fulgor dos 10 minutos após entrar). Deco fez o seu pior jogo do Europeu, não ajudado por um árbitro que simpatizou pouco com ele.
Tirando estas teorias, quase sempre válidas depois dos jogos, nem acho que fosse por isso que Portugal perdeu. Se tinhamos 2 pontas de lança ou não, mais ou menos cruzamentos, o Simão ou o Hélder Postiga... tudo muito fácil de afirmar porque nunca se poderá saber o que teria acontecido com uma euqipa diferente.
O que faltou foi termos ganho mais duelos individuais. Faltou um dos muitos remates ter entrado no angulo ou ter tido um desvio que enganasse o seguro GR grego. Faltou termos feito um jogo sem NENHUM erro defensivo: tivemos 2 e 1 deu em golo (pena que o Ricardo tenha saído à toa metro e meio ao lado da bola e o Costinha se tenha encolhido peranto o salto do grego). Faltou o CRonaldo ter pé esquerdo e calma para picar a bola por cima do GR. Faltou o CRonaldo ter ido para cima do único defesa que tinha pela frente, fintado e rematado para o golo em vez de mandar um bico apressado contra esse defesa. Faltou o Scolari ter metido um jogador que marcasse um golo como nos habituou. Faltou à equipa o Miguel na 2.ª parte.
Faltou força, táctica, engenho e arte para derrotar o ferrolho grego, como podia ter sobrado isso tudo se fosse substituído por um pouco de (merecida) sorte.
Fiquei com muita pena. Pena porque não é todos os dias que se chega a uma Final, muito menos da forma a roçar o épico como Portugal lá chegou. Menos ainda uma Final em casa, com um País em uníssono à espera do êxtase final.
Temo que apesar de não ser irrepetível, seja imensamente difícil de repetir.
"Scolari ficou-se pelas mesmas alterações que resultaram contra a Inglaterra: RCosta para refrescar e troca directa de pontas de lança."
Ainda não li tudo mas aqui enganaste-te. Contra a Inglaterra jogamos com dois pontas de lança (N.Gomes e Postiga). Quando ler o resto volto à carga. ;)
nao tinha bem a certeza disso. ouvi ou li num comentario e tive preguiça de ir ver.
nao acredito que leias tudo.
nem eu li quanto mais... :P
Vamos lá por partes:
1 - erro defensivo? Sempre me ensinaram que um guarda-redes tem de comandar a sua defesa para que dentro da pequena área possa ter caminho livre para assumir as suas responsabilidades;
2 - Costinha não se encolheu - o avançado impediu-o de saltar, apoiando-se nele, embora o árbitro não tenha marcado falta;
3 - o Scolari levou os seguintes banos de táctica:
3.1 - Grécia I
3.2 - Inglaterra
3.3 - Grécia II.
O facto de ganharmos muitos jogos deve alegra-nos , mas não cegar-nos diante dos pontos negativos que possam ocorrer.
"A Grécia foi de facto uma grande equipa. Excepcional organização, grande capacidade física, algumas excelentes individualidades (principalmente na defesa), treinador com capacidade de leitura táctica para adaptação ao adversário, capacidade de defesa bloco muito boa, excelente trabalho na preparação das jogadas de bola parada e, a cereja em cima do bola, grande capacidade de concretização das oportunidades (ou meias oportunidades) de que usufruem."
foi o bruno q te encomendou o sermão!?
Afixado por: bitok em julho 7, 2004 03:32 PMele fez-me ver a luz.
ja tenho bandeira grega em casa.
comprei dois cativos no dragao em cima da linha lateral, um de cada lado do campo, para estar perto do meu novo ídolo em cada parte do jogo.
vou levar a bandeira a todos os jogos e apoiar o novo maradona, sucessor de Pelé que é o Seitaridis.