Para quem não se lembra o euro 84 foi marcado por uma mítica campanha portuguesa que, vista à distância de 20 anos, registou uma vitória, um empate e duas derrotas, a última das quais num lendário jogo contra a França, onde perdemos a hipotese de chegar à final. A versão oficial refere o habitual azar que caracteriza a nossa selecção. Mas ninguém diz que fomos dominados completamente pela selecção da casa e merecemos inteiramente a derrota num jogo em que o Bento - nosso gr da altura - fez uma exibição do outro mundo. Benditas reposições da Eurosport porque senão ainda hoje vivia na ilusão que a nossa derrota tinha sido injusta.
A Sportv fez uma interessante reportagem com algumas das figuras dessa época. Ponto prévio: na altura a nossa selecção era orientada por 4 treinadores; António Morais, Toni, António Simões e Fernando Cabrita. Este último era quem tomava as decisões finais. Passo a referir algumas das situações mais interessantes:
- os jogadores do Porto chegavam atrasados às refeições, comiam todos na mesma mesa e ninguém sequer se aproximava deles.
- tinha que haver um equilibrio entre o número de jogadores titulares do Porto e do Benfica. Os treinadores discutiam entre eles quem devia jogar e numa dessas ocasiões foram surpreendidos por alguns dos jogadores, numa discussão quente, atrás de uns arbustos sobre se devia jogar o Jaime Pacheco ou o Carlos Manuel. Escusado será dizer que António Morais dizia que jogava Pacheco mas Toni e Simões defendiam a posição de Carlos Manuel. Morais, vendo que tinha perdido, amuou e o ambiente entre os técnicos ficou ainda pior.
- o ponta de lança Néné (considerado, na altura, o melhor jogador português sem bola) estava convencido que não ia jogar neste europeu porque se jogasse ultrapassava o record de internacionalizações do Eusébio. Acabou por jogar contra a Roménia, jogo em que marcou o golo decisivo mas nem sequer festejou esse golo.
- o mesmo Néné revelou que enquanto os jogadores titulares ensaiavam jogadas estudadas, seis ou sete jogadores estavam deitados à volta do relvado a bronzearem-se como se nada se passasse com eles.
- Num voo de muita turbulência entre duas cidades francesas a nossa selecção entrou em pânico. Veloso chegou inclusivamente a desmaiar. Rapidamente ficou um cheiro nauseabundo no avião. Veloso não só tinha desmaiado como se tinha borrado de medo. Borrado, no sentido literal.
- Após o jogo contra a Roménia, Portugal passou à segunda fase. Quando voltaram para o hotel onde estavam instalados, já lá estava a selecção francesa. Conclusão: tiveram que mudar de hotel.
- Já no hotel novo os treinadores marcam um treino. Rapidamente concluiram que o hotel não tinha condições para treinar, não havia um campo relvado, muito menos balizas e o treino acaba por ser num campo com cerejeiras, com cada jogador a dar toques com a bola.
- Após a nossa eliminação, cada jogador voltou para Portugal pelos seus próprios meios. Houve jogadores que ainda ficaram 2 ou 3 dias em França e regressaram a aproveitar a boleia de amigos.
E assim, 20 anos depois, se destruiu em vinte minutos o maior mito da minha infância: a campanha heróica da nossa selecção no Euro de 84.
Publicado por NunoP em maio 20, 2004 12:28 AMSim... é como a nossa prestação até agora nos jogos de preparação para o Euro... com tanta "má sorte" nem a bruxa Linda Reis nos vale de nada...
Afixado por: D_Quixote em maio 20, 2004 09:19 AMépico...
o giro é que se fizessem trabalho semelhante para cada campanha, e os jogadores estivessem dispostos a falar, com as devidas actualizações temporais a coisa nao devia andar muito longe disso...
Afixado por: Lullas em maio 20, 2004 09:30 AMgrande lolasso!
ainda bem q me fizeste rir, tou com umas dores de cabeça q nem posso.