Atmosfera blogueira
Definição contida algures na última edição do Inimigo Público: 'O verbo "postar" advém do acto de colocar na Internet textos relativamente curtos, que supostamente representam uma leitura individualizada e diarística da realidade, mas que, na verdade, são agoniantes e entediantes relatos narcísicos.'
E continua,
'Através de um circuito fechado de elogios recíprocos usados enquanto forma de troca (que para serem mais eficazes podem aparecer sob a capa da discordância) os indíviduos "postam", citam-se entre si (repostam-se), e submetem-se a uma hierarquia de importância interna, só válida para eles e que são institucionalizados em jantares de bloggers, aos quais um contador de visitas veio trazer algum azedume.'
Agora já sou eu a falar. De facto custa-me a entender a importância que a generalidade dos blogueiros dão ao seu próprio blog. Estou farto de ouvir expressões tais como o mais singelo 'eu também já tenho um blog', o insuportável 'como podem ler no meu blog' ou, o que já só dá vontade de partir para a violência, 'acabei de postar isto no meu blog mas mesmo assim não resisto a trazer isto para público que sempre é da maneira que se fala mais um pouco no meu blog e basicamente de mim'.
Não tenhamos quaisquer dúvidas, o blog só por si é um misto de pretensiosimo, narcisismo e egocentrismo. Ou seja, basicamente já não é um misto para passar a ser um tristo. Ora um tristo de ismos rapidamente se converte num tristo figurinho. Mas basta de trocadilhos por agora.
Vocês devem estar a perguntar 'Este gajo pensa que está a escrever onde? Evidentemente num blog. Está armado em parvo............. o gajo!". Não me confundam com o Pedro Rolo Duarte, que de tanto criticar os blogs ficou a escrever um na sua coluna no DN - é o efeito camaleão aplicado à máxima 'se não os podes vencer'. Aqui a política da casa sempre foi ok... muito bem ... escrevo num blog. SOCORRO! Mas não vou ter a put... cof cof ... da mania que agora vou escrever para outras pessoas verem como sou espirituoso e tenho boas ideias. Especialmente porque é mentira. Não sou espirituoso nem tenho boas ideias. Neste blog escrevo para mim. Gosto que outras pessoas leiam, como é evidente, mas não me vou pôr em bicos de pés, utilizar manobras básicas de marketing, publicitar o meu (nosso) blog na blogosfera ou na estratosfera ou lá como se chama essa merda e nunca, mas nunca, ir a jantares de bloggers. Prefiro continuar a ser lido apenas por brazucas em busca de papel de parede para o quarto dos filhos - e já são mais de quatro mil - do que pertencer a esse grupelho de infelizes que encontraram na blogosfera um analgésico para anos e anos de relações sexuais frustradas, em busca de um espelho que lhes diga que o blog deles é o mai'lindo de todos. Não suporto os Marcelos Rebelos de Sousa da blogosfera com a mania que vão a todas, opinam sobre tudo e entendem todos os assuntos. E acho rídiculo o vício institucionalizado de falar na terceira pessoa do singular, como se o blog tivesse vida e vontade própria. Vejam só como é patético: 'O Papel de Parede despede-se por momentos'. Até breve.