Triosk Meets Jan Jelinek & Peace Orchestra

A palavra da mailing list da ananana (um texto um pouco mais confuso do que o habitual mas ainda assim uma óptima contextualização) :
O ponto de contacto já foi feito há algum tempo atrás. Com o projecto nipónico Computer Soup, Jan Jelinek já tinha elaborado ideias electrónicas para dialogar com improvisação acústica. Mas, recuando mais um pouco, a sua colecção de jazz vintage já havia sido sacrificada em 'hard disk' no elucidativo disco «Loop-Finding-Jazz-Finding-Records» - a essência microscópica do groove do jazz transposta para a conceptualização electrónica pós-techno. Ou seja, o discurso techno de Jelinek sempre foi suficientemente plural e difuso para permitir uma conexão plural e difusa. O seu som, feito de farrapos soltos de induções electro-magnéticas, sempre sugeriu contaminações. Agora, após a revolução techno minimal onde Jelinek ditou regras e leis muito claras, a janela abre ainda mais ampla para novos terrenos e novas paisagens. Redefinindo o seu trabalho com Computer Soup, ainda a Leste, Jelinek infiltra-se nas acções programáticas de Triosk, um trio australiano desconhecido para nós, mas que gere as suas intenções de acordo com os ensinamentos espaço-temporais dos conterrâneos The Necks. Jazz futurista (como sempre se diz do jazz oblíquo) com ideias muito próprias e uma vontade indómita de deixar espaços abertos ao silêncio e à contemplação. Depois, o groove, subtil e quase subliminar, quase sempre suportado pelo pulsar sub-harmónico de Jelinek, debita restos de ritmo ou deixando apenas a poeira electrónica no ar. É acima de tudo uma fórmula eficaz de contágio, mas por dentro dos seus genes há um submundo de actividade geométrica livre, onde cada espira demonstra que a ligação do quarteto é, sobretudo, plausível. Dir-se-ia, para espevitar polémicas, que é um irmão polido de «Get Up WIth It» ou, até mesmo, a versão Schindler high-tech de «Ascenseur Pour L´Échafaud». O veludo electrónico de Jelinek parece não ter fim, e mais uma vez devolve-nos um álbum elegante e super cativante. Mais um Scape de eleição, mais um Jelinek a não perder, mais um disco para as listas atrasadas dos melhores de 2003.
A palavra do blogueiro de serviço (esta é praticamente a única parte deste post que é da minha exclusiva autoria) :
Jan Jelinek é um dos poucos produtores geniais da actualidade.
Acabou. Era mesmo só isto.
Três opiniões complementares :
A primeira é boa. A segunda, nem por isso. E a terceira é em alemão. Língua que desconheço completamente.
Discografia seleccionada (em nome próprio ou sob diversos alias) :
Gramm - Personal Rock (2000)
Jan Jelinek-Loop finding jazz records(2001)
Jan Jelinek & Computer Soup-Improvisations and Edits(2001)
Farben - Textstar (2002)
Jan Jelinek Avec The Exposures-La Nouvelle Pauvreté(2003)
Triosk meets Jan Jelinek-1 + 3 + 1(2003)
Mudando rapidamente de disco mas não de assunto, uma destas noites deu-me para recuperar este álbum...

... pelo qual eu, como soi dizer-se, nutro um especial carinho, uma vez que o comprei exactamente no dia em que me telefonaram a confirmar que tinha sido aceite para o meu primeiro - e, até ver, único - emprego. Foi este disco que me fez aderir incondicionalmente áquilo que Ricardo Saló, nas páginas do Expresso, já repetiu um milhão de vezes para vários discos diferentes - aparentemente sem nunca ter dado conta - e que ficou celebrizado com sendo, e passo a citar, a banda sonora de um "admirável mundo novo".
Publicado por NunoP em fevereiro 4, 2004 10:30 PM