O Sargentão
Consta nos meandros do mundo futebolístico que, após a nossa humilhação contra a Espanha, Maniche deixou de estar nas graças de Scolari. Tudo por causa de algumas declarações aos jornalistas com que o nosso seleccionador não concordou. Depois não se admirem se noventa e nove por cento das entrevistas a jogadores resultarem em 'São 11 para cada lado, a bola é redonda, jogamos bem, estamos todos de parabéns pela vitória/empate/derrota. Já estamos a pensar no próximo jogo contra um adversário muito difícil. O importante é a equipa se mantenha-se (sic) unida' mesmo que a pergunta tenha sido 'Então Didi, o que faz nos seus tempos livres?'. Scolari é da velha escola 'Octávio Machado' - duro, inflexivel, prefere sacrificar a equipa que orienta do que ver a sua personalidade autoritária beliscada. O resultado é fácil de ver - apesar de ser o treinador campeão do mundo os adeptos brasileiros não descansaram enquanto não viram Scolari pelas costas e escolheram venerar outros 'heróis'. Pauleta marca um golo, corre para o banco e ... passa pelo seleccionador já de braços abertos, para abraçar Luís Figo. Quanto a Octávio Machado, esse génio incompreendido, após sair pela porta do cavalo é visto a conduzir, ressabiado e chateado com o resto do mundo, o seu tractor na vã esperança de que, qualquer dia, alguém se lembre da sua existência.